Revista Recaptulando - 28º Edição - Editorial e publicações científicas comentadas
Editorial
Celebrando 4 décadas de IgE
S G O Johansson- Departamento de Medicina, Unidade de Alergia e Imunologia
Clínica do Instituto Karolinska, Stockholm, Sweden.
O professor Johansson foi homenageado pelos 40 anos da “descoberta” da IgE. Fez uma retrospectiva, levantando dados históricos desde a descoberta da IgE até os dias de hoje.
A descoberta da IgE tem tido impacto significante na compreensão dos mecanismos das reações alérgicas. Após a descoberta da IgE, Kimishige e Teruko Ishizaka puderam explicar o processo de ligação IgE-mastócitos, com subseqüente liberação de histamina.
A determinação de IgE específica tornou-se uma importante arma diagnóstica. A detecção e a quantificação dos anticorpos IgE específicos, disponíveis atualmente,são importantes para o diagnóstico, monitoração e prognóstico da doença, assim como na avaliação terapêutica.
Tornou-se possível a identificação de causas, a recomendação de afastamentos e o desenvolvimento de IMT específica e de novas drogas, melhorando a qualidade de vida dos pacientes. Entretanto, é importante que os médicos compreendam o significado da IgE específica, encaixando a sensibilização no contexto da história clínica do paciente. Para a determinação da IgE específica
são necessários extratos alergênicos e estes também sofreram um processo de lapidação nos últimos anos. Quando os extratos disponíveis comercialmente foram testados para detecção de concentração alergênica, tornou-se claro que a caracterização do material bruto, peso/volume (w/v), ou concentração de nitrogênio protéico (PNU/ml), não se correlacionavam bem com o conteúdo
alergênico. Observam-se variações na concentração de alérgenos de tais extratos, da ordem de 100 a até 10. 000 vezes.
Antigamente os extratos eram tidos como preparações homogêneas e nos dias de hoje sabe-se que se tratam de uma mistura de 10-30 proteínas diferentes ex: extrato de “Dermatophagoides pteronyssinus”. Atualmente são utilizados extratos padronizados de acordo com o conteúdo
alergênico. Eles são essenciais não apenas para testes laboratoriais, mas também um pré-requisito para testes cutâneos e para imunoterapia.
A hiposensibilização, ou imunoterapia específica, foi introduzida há 100 anos. Na última década a IMT apresentou um grande avanço, tanto em termos de eficácia como em segurança. Ela não previne a sensibilização imunológica, como ocorre com vacinas contra antígenos virais, mas neutraliza os anticorpos IgE específicos, in vivo. Estimula reações protetoras como IgG4 específicas
e respostas do tipo Th1. Atualmente, cada vez mais há tendência para se utilizar preparações imunogênicas, e não alergênicas, de alérgenos recombinantes, tentando proporcionar resposta com segurança, em termos de efeitos adversos. Um alérgeno recombinante trata-se de uma molécula de alérgeno, identificada a partir de um extrato alergênico e produzida por biotecnologia. A maior parte dos alérgenos recombinantes são expressos em E coli e são comparáveis com as proteínas naturais do ponto de vista estrutural e propriedades imunológicas.
Os alérgenos recombinantes apresentam capacidade de ligação a IgE comparável a alérgenos naturais e em geral têm boa reatividade “in vivo” e “in vitro”, aos testes diagnósticos.
Uma outra forma de modular a resposta alergênica, é pelo uso de anticorpos anti-IgE. Além da redução dos níveis circulantes de IgE, promovem uma diminuição do número de receptores de IgE nos basófilos e nos mastócitos. Este mecanismo leva a uma menor “reatividade” alergênica, independente do alérgeno em questão. Este tratamento, entretanto, é disponível apenas para casos de asma grave.